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Coinbase, que detém 5% de todo o bitcoin, quer começar já a proteção pós-quântica
A exchange que custodia cerca de 5% de todo o bitcoin em existência defende assinaturas pós-quânticas flexíveis, adoção em etapas e uma discussão à parte sobre moedas esquecidas.
A Coinbase publicou um texto em que pede que o bitcoin comece a se preparar para computadores quânticos antes que a ameaça exista. A exchange, listada no Nasdaq e dona de cerca de 5% de todo o bitcoin em circulação, mantida para clientes como bancos, gestoras e fundos de cobertura, escreve que mudanças de consenso e migrações do ecossistema levam anos e por isso o trabalho precisa começar muito antes de qualquer anúncio de um computador quântico capaz de quebrar as chaves.
A ameaça descrita na publicação é um computador quanticamente relevante, que conseguiria deduzir a chave privada de um usuário a partir da chave pública e esvaziar a carteira. Segundo pesquisadores do Google citados pela fonte, uma máquina desse tipo poderia existir em 2029. Hoje o bitcoin se protege com dois esquemas de assinatura, ECDSA e Schnorr, que dependem de matemática que os computadores atuais não conseguem reverter.
Entre as medidas defendidas pela Coinbase está um formato de transação que aceite novos tipos de assinatura sem exigir a reconstrução do sistema, citando as propostas P2MR, conhecido como BIP-360, e P2TRv2. A exchange também apoia uma transição em etapas, na qual a mesma moeda poderia ser gasta com uma chave ECDSA ou Schnorr tradicional ou com uma chave pós-quântica, um arranjo de um para dois que protegeria carteiras ativas sem obrigar todos a migrar de uma vez. Há ainda o pedido de que esquemas que dependem de estado sejam acompanhados de opções sem esse estado, além de peso para implementações robustas e para compatibilidade com computação multipartite, usada pela própria Coinbase e por grandes custodiantes.
A exchange trata a questão das moedas esquecidas como um debate separado. Parte do bitcoin está em carteiras dormentes, algumas de pessoas que perderam as chaves, e em endereços antigos que deixam a chave pública exposta. A Coinbase disse não tomar partido sobre o que fazer com esses recursos, mas afirmou que qualquer resgate precisa ser seguro contra ataques quânticos, sob pena de o próprio resgate ser explorado.
Tudo isso, até aqui, é proposta. Nenhuma dessas medidas foi aprovada por consenso na rede. Desenvolvedores já examinam propostas semelhantes, e o próprio texto da exchange deixa em aberto o custo e os efeitos de cada caminho.