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EIP-7702 permite que contas comuns da Ethereum deleguem execução a contratos

A proposta final do Ethereum permite que uma conta externa autorize, com assinatura, um contrato cujo código passa a ser executado em seu contexto, abrindo espaço para agrupar operações e patrocinar taxas.

O EIP-7702 permite que uma conta externa da Ethereum, normalmente controlada por uma chave e sem código próprio, delegue a execução a um contrato já implantado. A mudança foi incorporada ao protocolo como um novo tipo de transação, chamado “set code”, identificado pelo valor 0x04. A proposta está finalizada como padrão técnico da Ethereum Improvement Proposals.

Para fazer a delegação, a conta assina uma autorização que identifica a rede, o endereço do contrato de destino e um nonce. A transação inclui essa autorização; os clientes da rede verificam a assinatura, a rede indicada e o nonce antes de registrar na conta um marcador que aponta para o código delegado. Quando uma chamada executa operações na conta, a Ethereum busca o código nesse endereço, mas o executa no contexto da conta que autorizou a delegação. A conta continua podendo iniciar transações como antes.

O mecanismo foi desenhado para permitir funções que carteiras de contrato já oferecem, como reunir várias ações numa transação e permitir que outra conta pague a taxa. Também pode servir de base para permissões mais restritas, desde que o contrato delegado implemente esses limites. O EIP-7702, por si só, não cria automaticamente um sistema de permissões nem garante que o código delegado limite o que pode fazer.

A delegação permanece ativa até ser substituída ou removida por outra autorização válida. A especificação também permite limpar o marcador usando o endereço zero. Como o código delegado pode agir sobre os ativos e as chamadas da conta, a autorização concede poderes relevantes: a especificação alerta que um contrato malicioso ou inseguro pode dar a terceiros controle amplo sobre a conta. Por isso, carteiras precisam identificar claramente o código autorizado e os usuários devem entender o alcance da assinatura.

O padrão não transforma cada conta externa em um contrato implantado separadamente. Ele grava uma referência para código existente e faz a máquina virtual seguir essa referência durante a execução. Essa escolha viabiliza a compatibilidade com ferramentas de abstração de contas, mas deixa a segurança da conta dependente do código apontado e das regras que esse código aplica.

Fonte: eips.ethereum.org

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