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EUA movimentam US$ 1 bilhão em bitcoin apreendido e Senado investiga laços da Tether com Cantor Fitzgerald
Carteiras do governo enviaram 12.267 BTC (US$ 1,01 bi) da reserva da Bitfinex a endereços novos sem depósito em exchange, enquanto o senador Blumenthal cobra respostas da Cantor sobre custódia e receitas da Tether até 23 de outubro.
Carteiras vinculadas ao governo dos Estados Unidos transferiram 12.267 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 1,01 bilhão, a partir de um endereço que guarda moedas apreendidas no hack de 2016 da Bitfinex. Segundo a firma de inteligência em blockchain Arkham, os fundos foram para endereços novos, sem etiqueta, e não houve depósito em nenhuma exchange.
No dia anterior, cerca de 3.200 BTC (US$ 264 milhões) e US$ 119 milhões em USDT chegaram a endereços de depósito na Coinbase Prime, também rastreados até carteiras das apreensões da Bitfinex e da FTX-Alameda. A Coinbase Prime presta serviço de custódia, de modo que o depósito por si não indica venda. Movimentações semelhantes ocorreram nos dias anteriores e em julho, totalizando mais de US$ 100 milhões em BTC e BNB e cerca de US$ 288 milhões em bitcoin e ether, respectivamente. Uma ordem executiva de março de 2025 determinou que bitcoin confiscado seja alocado a uma Reserva Estratégica de Bitcoin, não vendido; a Arkham estima que o governo ainda detenha cerca de US$ 25,5 bilhões em criptoativos.
Em paralelo, o senador Richard Blumenthal (Democrata, Connecticut), presidente do Subcomitê Permanente de Investigações do Senado, enviou em 8 de outubro carta a Brandon Lutnick, chefe da Cantor Fitzgerald, cobrando explicações sobre a relação da corretora com a Tether. A Cantor custodia e gerencia as reservas da stablecoin nos Estados Unidos. A carta aponta que a participação de cerca de 5% da Cantor na Tether teria se valorizado de US$ 600 milhões para US$ 10 bilhões, além de dezenas de milhões anuais em taxas de custódia, e questiona se a maior parte dos ativos da Tether estaria de fato nos EUA sob guarda da Cantor, embora a emissora diga operar de El Salvador.
Blumenthal pede que a Cantor preserve todos os registros relevantes e responda até 23 de outubro de 2026. Os questionamentos abrangem o início e os termos da parceria, receitas geradas para a firma e para a família Lutnick, eventuais auditorias independentes da Tether, controles de sanções e antilavagem, detalhes do arranjo de custódia e as condições em que Howard Lutnick, secretário de Comércio e pai de Brandon, transferiu sua participação na Cantor aos filhos, incluindo eventual empréstimo da Tether para viabilizar a operação. O senador também quer saber quais medidas a Cantor tomou para apurar alegações de uso do USDT em finanças ilícitas ligadas ao Irã e à evasão de sanções russas, e eventuais comunicações com o Conselho de Assessores de Ativos Digitais da Presidência.
A investigação é conduzida pela minoria democrata do subcomitê, o que limita seu poder de compelir depoimentos ou documentos; as alegações não constituem achados comprovados. O cenário pode mudar se os democratas obtiverem maioria no Senado nas eleições de novembro.