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FSB diz que stablecoins nunca foram testados em crise e pede cooperação entre países
O órgão de estabilidade financeira do G20 afirma que stablecoins não enfrentaram estresse severo nem insolvência, pede compartilhamento de informação transfronteiriça e registra o mercado saltando de US$ 206 bi para US$ 306 bi desde o começo de 2025.
O Financial Stability Board (FSB), o órgão de estabilidade financeira do G20, publicou nesta segunda-feira um relatório em que afirma que as stablecoins ainda não foram testadas sob estresse severo de mercado nem em caso de insolvência, e que os marcos regulatórios nacionais estão se desenvolvendo em ritmos diferentes.
O FSB pede mais compartilhamento de informação entre países, mais monitoramento e mais planejamento para o caso de distress ou falha de um stablecoin. Andrew Bailey, presidente do órgão e governador do Banco da Inglaterra, escreveu que os arranjos globais de stablecoin são inerentemente transfronteiriços e que a cooperação nessa área ainda está em sua infância.
O relatório aponta risco maior em estruturas multiemissor. Empresas afiliadas podem emitir a mesma stablecoin e dividir entre si a responsabilidade por ela, mantendo as reservas em jurisdições separadas. Se os detentores podem resgatar com qualquer emissor do grupo, a demanda pode se concentrar em uma única entidade enquanto os ativos necessários ficam em outro lugar. Mover essas reservas pode ficar mais difícil em meio a uma crise, e pode ficar indefinido qual regra de insolvência se aplica caso um dos emissores quebre.
Stablecoins operam 24 horas por dia, enquanto os mercados dos ativos que as lastreiam têm horário de funcionamento definido. Em uma corrida, se os resgates não acompanharem o ritmo das vendas, o token pode perder o par. O FSB observa que mercados secundários profundos e líquidos também podem ajudar a puxar o token de volta ao par por arbitragem.
Vendas forçadas de reservas e saques em depósitos bancários poderiam levar o choque aos mercados financeiros tradicionais. O órgão apontou ainda a fragilidade dos dados: a natureza pseudônima das transações de cripto dificulta saber onde os detentores estão e qual jurisdição se aplica a eles.
O mercado de stablecoins começou 2025 com capitalização de cerca de US$ 206 bilhões e chegou a US$ 306 bilhões, com a maior parte do valor em moedas parity ao dólar. Por enquanto, o que existe são recomendações e não obrigações: as recomendações do FSB não têm força vinculante, embora os membros costumam se comprometer a aplicar os padrões acordados em seus países. O relatório chega poucos dias antes da reunião de ministros das finanças e governadores de bancos centrais do G20, marcada para 15 de outubro.