Hoje · Regulacao
Hegseth proíbe o Pentágono de apostar em mercados de previsão com informação não pública
Memorando de 20/10 veda a pessoal do Departamento de Guerra transações com informação não pública em plataformas como Kalshi e Polymarket, com punição administrativa, disciplinar ou criminal.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, enviou em 20 de outubro um memorando à alta cúpula do Pentágono e aos comandos combatentes que proíbe o pessoal do Departamento de Guerra de fazer transações financeiras com base em informação não pública, classificada ou não. O texto nomeia as plataformas de previsão Kalshi e Polymarket. A CBS News antecipou o documento em 22/10, com o mesmo teor publicado depois por outros veículos.
No memorando, Hegseth escreve que os inimigos dos EUA observam os movimentos desses mercados e que uma transação sobre um desfecho militar cria um sinal, porque serviços de inteligência estrangeiros podem ler a atividade de apostas para antecipar alvos e tempos de operação. O texto diz ainda que dinheiro em jogo pode distorcer o julgamento de quem analisa a operação. As violações prevêem punição administrativa, disciplinar ou criminal sob a lei federal ou o Código Uniforme de Justiça Militar.
A medida chega após o crescimento da apuração sobre militares em plataformas de apostas. Em abril, o sargento do Exército Gannon Ken Van Dyke, envolvido na operação que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, foi indiciado por ter apostado mais de US$ 33 mil no Polymarket poucas horas antes do anúncio da captura, com ganhos de mais de US$ 409 mil; ele se declarou inocente em corte federal de Nova York. Em fevereiro, autoridades israelenses prenderam e indiciaram um reservista e um civil por terem usado informação classificada para apostar no Polymarket sobre ataques israelenses ao Irã.
O que já vale é a vedação imposta ao pessoal do departamento pelo memorando de 20/10. O que não muda é a operação das plataformas: Kalshi e Polymarket seguem autorizadas a negociar contratos de eventos nos EUA, e o documento trata do uso de informação restrita por funcionários do Pentágono, não da legalidade dos mercados.