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Ledger diz que chip espião em carteiras CryptoBilis lia frase de recuperação e enviava por LTE
Fabricante explicou que implante físico dentro do aparelho capturava as 24 palavras na tela e as transmitia a atacantes via rede celular, sem alterar software ou secure element.
A Ledger deu a primeira explicação pública do mecanismo por trás dos roubos ligados ao revendedor asiático CryptoBilis. Um chip espião implantado fisicamente dentro de carteiras hardware vendidas pela CryptoBilis lia a frase de recuperação de 24 palavras exibida na tela do aparelho e a transmitia para atacantes por meio de uma rede celular LTE, usando um eSIM integrado ao implante.
A frase de recuperação é a chave mestra de uma carteira de criptomoedas. Quem a possui pode recriar a carteira em outro dispositivo e mover os fundos sem precisar do aparelho físico Ledger nem alterar transações.
A Ledger afirmou que o implante não modificou o secure element do dispositivo, o chip projetado para proteger chaves privadas, nem seu sistema operacional. Também não alterou transações ou assinaturas. O incidente foi um ataque físico na cadeia de suprimentos, e não uma violação do software ou dos sistemas internos da Ledger.
A empresa francesa confirmou que pelo menos um dispositivo afetado continha um implante não autorizado e que todas as perdas confirmadas no incidente de 9 de outubro envolveram aparelhos vendidos pela CryptoBilis. Pesquisadores on-chain estimaram que mais de 300 carteiras perderam até US$ 93,2 milhões, e a Tether congelou US$ 10 milhões em USDT vinculados ao roubo.
A CryptoBilis parou de vender carteiras Ledger. A empresa recomendou que clientes que compraram aparelhos do revendedor não os inicializem. Quem já usou um dispositivo da CryptoBilis deve transferir os ativos para um novo aparelho com uma frase de recuperação recém-gerada.