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O que é um futuro perpétuo (e a taxa de funding)

Contrato de futuros sem data de vencimento. Sem expiração, spot e perpétuo não convergem sozinhos: a funding rate faz longs e shorts pagarem um ao outro para ancorar o preço.

Em um futuro clássico há data de vencimento: na expiração, o contrato converge para o preço à vista (spot) do ativo. O futuro perpétuo — perpetual futures, ou só “perp” — não tem essa data. Em tese, a posição pode ficar aberta indefinidamente, o que combina com o mercado de cripto operando 24 horas por dia, sete dias por semana.

Sem vencimento, spot e perpétuo não são forçados a se encontrar por arbitragem de entrega. O Banco de Compensações Internacionais (BIS), no FSI Insights n.º 27, descreve o produto como o contrato de derivativos mais comum nas plataformas de cripto e explica o remendo: a taxa de funding (funding rate). Texto do BIS: https://www.bis.org/fsi/fsipapers27.pdf

A funding rate é um pagamento periódico entre quem está comprado (long) e quem está vendido (short) no mesmo contrato. Não é uma taxa da corretora: a casa só intermedia a transferência entre as duas pontas. Quando o perpétuo negocia acima do índice à vista (prêmio), a taxa tende a ficar positiva e os longs pagam os shorts. Quando o perpétuo fica abaixo do spot (desconto), a taxa tende a ficar negativa e os shorts pagam os longs. O incentivo empurra liquidez para o lado “barato” e puxa o preço do contrato de volta para perto do índice.

Nas principais casas, o intervalo padrão costuma ser a cada oito horas (por exemplo 00:00, 08:00 e 16:00 UTC). Só paga ou recebe quem ainda tem posição aberta no instante do settlement; quem fecha antes não entra na rodada. A documentação da Binance Futures resume a lógica e o intervalo padrão em https://www.binance.com/en/support/faq/detail/360033525031 — em volatilidade extrema, algumas plataformas encurtam o intervalo (para quatro ou uma hora) segundo as regras do contrato.

Dois preços aparecem o tempo todo no painel: o preço de marca (mark price), usado para margem e liquidação, e o preço do índice (index price), que agrega o spot de várias fontes. A funding usa a diferença entre eles (prêmio) mais um componente de juros, com limites (clamp) para a taxa não disparar sem freio em um único intervalo. Detalhe operacional: o notional da posição vezes a taxa define o valor transferido naquela rodada.

Isso ajuda a ler notícias sobre “perpétuos on-chain”, consultas de regulação (como tratar o contrato sob MiFID II) ou sweeps violentos no tape. No perpétuo alavancado, a agressão pode ser abertura de posição, hedge ou liquidação forçada quando a margem acaba — não necessariamente “compra real” do ativo no spot. Por isso comparar o fluxo do futuro com o do mercado à vista é útil: quando só o perpétuo sobe e o spot fica parado, parte do movimento pode ser cobertura de short ou alavancagem frágil.

Em resumo: futuro com vencimento converge na entrega; perpétuo permanece aberto e usa funding entre longs e shorts para ancorar o preço no índice. A taxa em si não é sinal de compra ou venda — é o mecanismo de ancoragem do contrato.

Fonte: bis.org

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