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O que é o relatório COT da CFTC (e quem são os “fundos alavancados”)

Toda sexta a CFTC mostra quem segura os contratos de futuros em aberto na terça anterior. Interesse em aberto, longs e shorts, as quatro categorias do relatório TFF e por que um short de hedge fund nem sempre é aposta na queda.

Atualizada em 04/10/2026, 20:36

Quando uma notícia diz que "fundos alavancados reduziram shorts de bitcoin", o número quase sempre vem do mesmo lugar: o relatório semanal Commitments of Traders, o COT, publicado pela CFTC, a agência que regula os mercados de futuros nos Estados Unidos. Ele não mostra preço nem volume. Mostra quem está segurando contratos em aberto e de que lado.

Por regulamento, a CFTC coleta todos os dias, de forma confidencial, as posições dos grandes participantes, aqueles que passam de certos limites de tamanho. A agência usa isso para supervisão e, uma vez por semana, divulga uma versão agregada. Segundo a própria CFTC, o COT traz a fotografia do interesse em aberto de cada terça-feira, apenas nos mercados em que 20 ou mais participantes estão acima desses limites, e sai toda sexta-feira às 15h30 no horário do leste dos EUA. Há duas versões: só futuros e futuros mais opções combinados.

Isso explica a defasagem que aparece nas notícias. Os números divulgados na sexta, 2 de outubro, retratam as posições de terça, 29 de setembro. O que aconteceu entre uma data e outra não está lá.

Interesse em aberto é a quantidade de contratos que continuam vivos, sem terem sido encerrados. Cada contrato tem um comprado (long) e um vendido (short), então o total de longs e o total de shorts do mercado inteiro sempre se igualam. O que o relatório revela é como esses lados se distribuem entre grupos de participantes. A posição líquida de um grupo é a diferença entre os longs e os shorts que ele segura.

O relatório conta contratos. Quando um texto fala em "BTC-equivalentes", alguém multiplicou o número de contratos pelo tamanho de cada contrato para expressar a posição em bitcoins.

Para futuros financeiros, que incluem os de bitcoin, a CFTC publica ao lado do COT tradicional o relatório Traders in Financial Futures (TFF), que separa os grandes participantes em quatro grupos, segundo as notas explicativas da agência. Os dealers e intermediários são bancos grandes e dealers que vendem produtos financeiros a clientes e costumam compensar o risco entre mercados. Os gestores de ativos e institucionais são fundos de pensão, seguradoras, fundos mútuos e gestores com clientes majoritariamente institucionais. Os fundos alavancados são, tipicamente, hedge funds e gestores como CTAs e CPOs, com posições direcionais ou de arbitragem dentro de um mercado e entre mercados. Os outros reportáveis são quem passa do limite mas não cabe nos grupos anteriores, como tesourarias de empresas e bancos menores, em geral usando futuros para proteger risco do negócio.

O TFF também separa o "spreading", a parte da posição de um mesmo participante que se compensa entre vencimentos diferentes ou entre futuros e opções.

A CFTC avisa que classifica participantes, não operações. Saber que um hedge fund está no grupo de fundos alavancados não diz se cada contrato dele é especulativo. No caso do bitcoin, uma estratégia conhecida no mercado é a arbitragem de base: comprar a exposição à vista (por exemplo, cotas de ETF) e vender futuros na mesma medida para capturar a diferença de preço entre os dois. Esse short no futuro não é uma aposta na queda, é a perna de proteção de uma operação que ganha com o diferencial. Por isso a queda de shorts de fundos alavancados pode refletir tanto mudança de visão quanto o desmonte de operações de base quando esse diferencial encolhe.

A classificação de cada participante depende do julgamento da equipe da CFTC com base no formulário de identificação que ele entrega, e pode mudar com o tempo. Quem fica abaixo dos limites aparece só como "não reportável", sem categoria. E, como o COT cobre apenas mercados regulados nos EUA, como a CME, os perpétuos das exchanges de cripto ficam de fora.

Fontes: notas explicativas do relatório TFF da CFTC (https://www.cftc.gov/sites/default/files/idc/groups/public/@commitmentsoftraders/documents/file/tfmexplanatorynotes.pdf) e página da CFTC sobre os relatórios COT (https://www.cftc.gov/MarketReports/CommitmentsofTraders/AbouttheCOTReports/index.htm). As datas de 29 de setembro e 2 de outubro vêm da notícia do TapeRadar sobre os shorts de fundos alavancados, com base na CryptoSlate.

Fonte: cftc.gov

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