São Paulo taperadar.com.br
TapeRadar.

Cripto e mercado.
Sem ruído.

Explicado · Stablecoins

O que é uma stablecoin

Token que mira preço estável frente ao dólar ou outra moeda: reservas, mint e burn, resgate ao par e o que o FSB exige dos arranjos globais.

Nas notícias de hoje o TapeRadar falou de Circle na Arc, do painel de stablecoins da Bloomberg, da HSBC RedCoin em Hong Kong, do Open USD e de remessas do El Salvador que liquidam em stablecoin. O fio comum é o mesmo: um token que tenta manter preço estável em relação a uma moeda fiduciária.

Uma stablecoin é um criptoativo desenhado para variar pouco frente a uma referência — em geral o dólar americano, às vezes outra moeda ou uma cesta. Na prática, o emissor (ou o protocolo) promete um mecanismo de estabilização: emitir quando há demanda e destruir (burn) quando alguém resgata, ou ajustar a oferta por regras on-chain. O token circula em blockchains e carteiras como qualquer outro; o que muda é a âncora de valor.

O modelo mais comum no mercado é o lastreado em reservas. O usuário entrega dólares (ou equivalente) ao emissor; o emissor guarda ativos de reserva — caixa, títulos curtos, depósitos — e coloca o token em circulação. Quando o titular pede resgate, o token some e o dinheiro fiat volta. O Financial Stability Board (FSB), no relatório final de julho de 2023 sobre arranjos de stablecoin global, recomenda que esses arranjos dêem aos usuários um direito legal claro de resgate e, no caso de referência a uma única moeda fiduciária, resgate ao par nessa moeda — ou seja, um token por uma unidade da moeda de referência, em prazo adequado. O texto está em https://www.fsb.org/2023/07/high-level-recommendations-for-the-regulation-supervision-and-oversight-of-global-stablecoin-arrangements-final-report/.

Há variações. Stablecoins “algorítmicas” tentam segurar o preço só com regras de oferta, sem reserva tradicional em fiat — o histórico mostra que esse desenho é mais frágil em corridas. Há também stablecoins lastreadas em cripto (colateral em ether ou bitcoin, muitas vezes com overcollateralização) e projetos bancários (como a RedCoin da HSBC anunciada para o dólar de Hong Kong) que ainda podem estar só no nome, sem emissão.

Quando as matérias citam mint e burn, estão falando dessa torneira: mint aumenta a oferta em circulação; burn reduz. Oferta total, velocidade de transferência e concentração por rede são métricas que painéis institucionais (como o dashboard da Bloomberg com dados da Allium) passam a mostrar porque o volume de stablecoins virou infraestrutura de pagamento e de liquidez no mercado cripto — não porque o token em si seja um investimento com valorização esperada.

Para o leitor: stablecoin não é “dólar digital do Fed”. É um arranjo privado (ou protocolar) com estabilização, reservas ou colateral, e regras de resgate que variam por emissor e por país. O FSB trata isso como risco de estabilidade financeira quando o arranjo cresce e cruza fronteiras; daí a ênfase em governança, divulgação e direito de resgate.

Fonte: fsb.org

Explorar o arquivo