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Tether pagou US$ 6,3 milhões a consultoria da qual ex assessor de Trump era sócio, diz o WSJ
Investigação do Wall Street Journal apura transferências de US$ 6,3 milhões da Tether para a Nxum, consultoria com participação de Bo Hines, que foi diretor do conselho de cripto da Casa Branca.
A Tether pagou cerca de US$ 6,3 milhões a uma consultoria de marketing chamada Nxum, da qual Bo Hines, ex diretor executivo do conselho de ativos digitais da Casa Branca, era sócio, segundo reportagem publicada em 15 de outubro pelo Wall Street Journal. A reportagem diz que a apuração se apoiou em documentos internos, mensagens no Signal e registros de pagamentos em blockchain.
A relação comercial começou em abril de 2025, quando o pai de Hines e outro sócio da Nxum se encontraram com o CEO da Tether, Paolo Ardoino, em Nova York. O encontro foi articulado pelo empresário de marketing Peter Vincer, que apresentou à Tether uma proposta de relações públicas, branding e atuação de lobby. A proposta inicial identificava a Nxum como responsável pelo trabalho; o contrato final passou pela empresa de marketing de Vincer, a Notorious, e não mencionava lobby.
O acordo previa US$ 415 mil por mês, em parcelas de seis meses, por contrato de pelo menos dois anos. Em 11 de maio de 2025, a Tether transferiu a primeira parcela de US$ 2,49 milhão pela Bitfinex, corretora da mesma controladora. Vincer reteve US$ 498 mil e repassou o restante para uma carteira ligada à Nxum, que depois dividiu os valores entre os três sócios.
Mais duas transferências de US$ 2,49 milhão cada chegaram a carteiras controladas pela Nxum em dezembro de 2025 e em abril de 2026, depois que Hines havia saído do governo. A reportagem calcula que a Nxum recebeu aproximadamente US$ 6,3 milhões com o arranjo.
Hines manteve um terço das ações da Nxum enquanto servia ao governo, de janeiro a agosto de 2025, e trabalhou no GENIUS Act, que estabeleceu regras federais para emissores de stablecoins, entre eles a Tether. Durante a negociação do projeto, ele defendia que as plataformas tivessem três anos para deixar de oferecer stablecoins que não cumprissem as novas exigências, contra os 18 meses originalmente propostos. O prazo final de 36 meses acabou dando mais tempo a emissores estrangeiros, como a Tether.
A Nxum afirma que Hines se afastou das operações da empresa e não recebeu dinheiro derivado da Tether durante o serviço público, e diz que o prazo mais longo veio de negociações com vários participantes. Cynthia Brown, advogada sênior de ética do Citizens for Responsibility and Ethics, disse à reportagem que oficiais federais em geral têm restrições para participar de assuntos do governo ligados a seus interesses financeiros. A Casa Branca disse que espera que os oficiais cumpram as leis de ética. A Tether não respondeu aos pedidos de comentário do jornal.
O GENIUS Act foi sancionado em 18 de julho de 2025. Hines deixou a Casa Branca em agosto e, em 19 de agosto, a Tether o nomeou conselheiro estratégico para a expansão nos Estados Unidos. Em setembro ele virou CEO da USAT, stablecoin regulada que a empresa planejava lançar nos Estados Unidos. A USAT foi lançada em janeiro de 2026 e chegava a aproximadamente US$ 185 milhões de capitalização em julho.
A apuração revelou ainda outros movimentos da Nxum depois da saída de Hines do governo. Segundo apresentação a investidores vista pelo jornal, a consultoria chegou a propor que a Tether comprasse 25% de seu capital por US$ 56 milhões, com outros 10% vendidos a investidores externos e 65% mantidos pelos fundadores. A Nxum também participou do lançamento, em setembro de 2025, do Fellowship PAC, comitê de ação política pró-cripto que já havia levantado ao menos US$ 11 milhões e pago mais de US$ 6,5 milhões à consultoria em publicidade e serviços relacionados.